"Borboletas sempre voltam e o seu jardim sou eu!"

Borboletas, Victor e Leo

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Todas as cartas perdidas

Sabe, eu devia ter dito. Devia ter falado. Eu tentei. As cartas é que não chegaram. Escrevi linhas e mais linhas e não disse nada, nunca cheguei a entregar uma sequer. Sabe aquela vez que você me machucou? Eu não estava com raiva de você, não de verdade. Estava com raiva porque sabia que por mais que eu tentasse, não conseguiria reaprender a confiar em ti. E sabe quando disse que não te amava, que pra mim também era só amizade? As cartas de amor tenho todas guardadas. Meu coração estava quebrado e eu chorava sozinha. Perdi amigos e algumas guerras por não dizer o que realmente pensava e me apoiar no meu orgulho. Escrevi tudo, mas não tive coragem de mandar. Me lembro também de um amigo, que era amigo. Ele me humilhou. Me fez chorar, me chamou de tola. Aceitei hipócrita, desculpas falsas, quando na verdade queria entregar as cartas. Cartas que escrevi dizendo que não odiava, que talvez eu simplesmente não me importasse mais, mas não podia esquecer tudo o que me fez passar. Simplesmente não podia. Não conseguia. Mas mesmo que todas as suas palavras fossem cruéis, eu estava sempre lá, as cartas nunca chegaram. E eu sabia. Mas hoje vou mandar todas as cartas que não mandei. Talvez alguém perdoe meus pecados. Ou não. Me culpo por todas as cartas que escrevi aos meus amigos e não mandei, queria dizer que eu estaria sempre ali. Mas hoje temo que alguns desses amigos tenham partido pra sempre da estrada da minha vida. Talvez para um lugar onde as cartas nunca cheguem, mesmo que eu as mande. Ter uma gaveta cheia de cartas é como gritar e não ser ouvida. Mas não porque os outros tampam os ouvidos, mas porque eu mesma abafo meus gritos no travesseiro. Cansei de escrever, meu pulso dói. Cartas que escrevi sobre bobagens e não mandei. Afinal eram bobas de mais, quem daria importância as loucuras de uma menina? Mas agora que penso, talvez nem fossem cartas tão bobas assim, afinal minhas palavras não eram vazias. Nunca fui leviana com os sentimentos de ninguém. Mas algumas vezes perdoei levianidade com os meus. Mas sabe as cartas? Nunca mandei. Peço desculpas aos meus pais, que tantas cartas escrevi. Nenhuma sequer eles receberam. Peço perdão pelas horas no computador, pelas vezes que dizia odiá-los, pelas oportunidades de pedir desculpas desperdiçadas, pelas vezes que não fui totalmente sincera, pelas colas nas provas de química, pelas vezes que me frustrei por não entender suas razões, pelas chances de dizer "eu te amo" que deixei passar. Mas as cartas eu ainda tenho. Estão todas na gaveta e agora aqui também. Se uma dessas cartas foi para você que lê meus pensamentos escritos, pegue-a e guarde. Ou queime se quiser. Mas hoje me livro de todas as cartas perdidas.

Um comentário:

Mariana disse...

te disse na aula hoje, e repito: ameii esse texto, sério :D