"Borboletas sempre voltam e o seu jardim sou eu!"

Borboletas, Victor e Leo

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Vou ficar (quase) famosa

Recebi um convite, vou publicar um livro com alguns contos e outras coisas que escrevo. A Lucy e o Peroni, meus amigos poetas também. Nosso livro ainda não tem nome, mas já fomos convidados para um programa de TV. A gravação vai acontecer amanhã, nós vamos depois da escola direto para o estúdio da TVE. Ainda não sei ao certo quais textos irei mandar. Mas vou postar um que escrevi sobre uma menina que observava tudo, mas nunca dizia uma palavra.
Ela não era muda, só nunca sabia o que dizer para aquelas pessoas que sempre passavam apressadas pela pracinha. Ela passava as manhãs sentada no balanço vermelho. Dia após dia lá estava a menina com seus 15 anos balançando as suas ideias. E Marina era assim, meio muda, meio quieta. Quase nunca alguém vinha falar com ela, mas ela nem ligava, sempre foi assim. Ela observava calada as histórias das outras pessoas. De toda a praça, quem puxava um pouco mais de assunto com a menina era o Seu Pedro, um velinho já com seus oitenta e poucos anos bem vividos. Marina sempre observava-o passar. De um lado para o outro. Do outro lado para o um. De manhã ele saia cedinho para comprar jornal, depois ficava longas horas conversando com Antônio, o dono da padaria, de quem ele compraria uma baguete que acabara de sair do forno a lenha. Era sempre assim. E Marina com seu vestido de bolinhas sempre balançando no seu balanço vermelho. Depois de Seu Pedro comprar jornal e ficar longas horas conversando com Antônio, o dono da padaria, de quem ele compraria uma baguete que acabara de sair do forno a lenha, o velhinho sempre vinha puxar algum assunto meio besta com Marina. As vezes eram conversas sem pé nem cabeça. "Quando eu tinha meus 15 anos, e isso já faz algum tempo, meninas bonitas como você não ficavam assim, sozinhas. Cadê as outras meninas bonitas para você conversar?" Seu Pedro era um amor de pessoa. Mas a verdade é que não havia outras meninas bonites em lugar algum. Desde pequena Marina sempre achara suas colegas fúteis demais com toda aquela maquiagem e roupas caras, maior babaquice. Não se importava de verdade de não ter outras amigas ou amigos se Seu Pedro era seu único amigo. Ele era como um avô para Marina e ela se sentia revigorada a continuar lutando para não virar mais uma Barbie quando estava com ele. Depois de conversarem os dois assim como quem não quer nada por horas a fio, Seu Pedro parava de discutir as bobagens aleatórias e perguntava, pedia quase como súplica para jogar damas com Marina num dos tabuleiros de pedra da antiga pracinha. Ela era sua única amiga também, ele falava com gente de mais para dizer a verdade mas era Marina, aquela menina meio quieta de mais que passava os dias balançando suas ideias no balanço vermelho da antiga praça, quem enchia seus dias de alegria e trazia de volta um pouca da sua aurora. Ele parecia ter 15 anos como Marina. Mas o jogo de damas era sempre Seu Pedro quem ganhava não tinha jeito, estava 349 jogos a 4 para o risonho homem de cabelos grisalhos. Marina nunca se importara muito com as derrotas, mas valorizava muito mesmo cada vitória. Seu Pedro nunca deixava Marina ganhar, não facilitava um pouquinho sequer. Todas as 4 vezes que ela ganhara fora com os devidos méritos. E assim era Seu Pedro. E assim era Marina. Depois de passarem algum tempo juntos lá ia Marina almoçar na sua casinha de tijolo à vista, meio sem graça, ir pra escola, onde tinha dezenas de colegas mas nenhum amigo. E lá ia Seu Pedro para a biblioteca pública para a companhia de centenas de livros mas nenhum amigo. Eles não se viam mais naquele dia. Mas Marina sabia que no dia seguinte quando estivesse balançando suas ideias no seu balaço vermelho, Seu Pedro ia sair para comprar jornal e ficar longas horas conversando com Antônio, o dono da padaria, depois compraria uma baguete que acabara de sair do forno a lenha. Mas não naquela sexta-feira dos ventos, nem no dia seguinte, nem no outro. Nem no outro mês. Mas Marina estava sempre lá balançado suas ideias no seu balanço vermelho. Agora eram ideias tristes. Ela estava triste e suas ideias também estavam de luto. Era um nó na garganta, um aperto no peito. Marina tinha seus olhos mariscados azuis mar, marejados pela maré de lágrimas que manchavam de marinho sua marina face. Seu Pedro não voltaria. Ele não sairia para comprar jornal e nem ficar longas horas conversando com Antônio, o dono da padaria, de quem ele compraria uma baguete que acabara de sair do forno a lenha. Nem conversaria com ela, a menina Marina do vestido de bolinhas. Nem jogariam damas nas antigas mesas de pedra. A alma de Seu Pedro se fora com o sopro do vento da cálida madrugada de Outubro. Agora já se passara quase um ano que Marina se fechara por completo e já era indiferente a tudo. Já não se balançava em seu balanço vermelho. Já não jogava damas. Já não ganhava por méritos, nem perdia de lavada. Foi então que um dia confundindo a vida pacata de Marina se sentou do lado dela um garoto. Estava no ônibus, voltando da escola. Ela o ignorou como sempre fazia com todo mundo. Mas todo dia a história se repetia, sempre o mesmo garoto. Sempre o mesmo lugar. Então o garoto certa vez com um livro em mãos perguntou, meio como quem quer alguma coisa mas faz que não quer nada, para a menina Marina: "Qual seu nome? Não quero ser impertinente, é que eu sempre te vejo por aqui e você é tão bonita e sempre te vejo carregando livros inteligentes, livros que nos contam histórias que valem a pena ser lidas. Os livros são seus certo? Certamente deve tem amigas mas parece tão sozinha..." E Marina calada simplesmente fechou seu exemplar de A República e desceu três paradas antes da sua casa. Não podia falar com estranhos certo? Rubra, sem dirigir ao menos uma palavra ao garoto desceu aos solavancos. O menino não falou nada nos dias que se seguiram, nem sequer sentou no lado da nossa protagonista. Até que um dia Marina vendo que o garoto parecia infeliz foi se sentar ao seu lado meio desconfiada. Porque ela ficava tão infeliz assim pela infelicidade do garoto? Seu coração disparava. Suas mãos suavam. Seria medo? "Olá garoto, porque estás tão triste como a chuva que cai lá fora?" perguntou Marina. E o garoto se deteve a dizer: "Olá menina. Estou tão triste porque eu queria conhecer a menina de olhos azuis mar que faz meu coração disparar e minhas mãos suarem mas acho que meu passado engoliu o presente e hoje o futuro jaz morto como tudo na vida" Marina meio inquieta saiu na parada próxima. Marina tinha seus olhos mariscados azuis mar, marejados pela maré de lágrimas que manchavam de marinho sua marina face. Porque seu coração doía tanto? No outro dia lá foi Marina sentar do lado do garoto, agora ela via como ele era bonito com seus all star, jeans meio roto e camiseta azul. Azul marinho como os olhos de Marina. Hoje ele carregava alguns livros grossos. Eram apenas livros de escola, Marina supôs. Ah se marina tivesse coragem! Ou se controlasse o palpitar aleatório do seu coração... Marina estava tão perdida em meio a tantos pensamentos que nesse dia quando o menino desceu ela se sobressaltou, mas antes mas antes disso ele disse "adeus" e paralisou Marina beijou-a inesperadamente nos lábios. Adeus? Porque adeus? Pensou Marina atônita. Seu coração doía tanto! E ela passou da parada de sua casa. Não tinha jeito. Teria que caminhar. Estava saindo do ônibus quando viu que o garota havia deixado algo no banco. Um livro. Luna Clara e Apolo Onze. Luna Clara e Apolo Onze? Desceu do ônibus com o livro em mãos. Por meses o livro ficou esquecido na gaveta. Certo dia abriu-o. E leu na primeira página. E a segunda. E todas elas. No final do livro havia uma coisa escrita com uma caligrafia meio inclinada, meio apagada. Era difícil de ler. Marina cerrou os olhos e leu: Pedro Dorneles. Pedro fora o primeiro grande amor da menina Marina.

8 comentários:

Lucy disse...

peguei um pouco bastante da Adriana Falcão e dos Laços dela nesse texto =x
e peguei um pouco de alguma garota que eu conheço que lê Platão e que se apaixona por garotos que usan jeans e all star.

sei lá, impressionismo meu.

Julia Bauer disse...

J:Não, eu sou comprometidaaaa :X
L:Com quem??? :O
J:Com o meu bom senso :D

gAng disse...

cara q oportunidade
aparecer na TV =D

www.hysteria-project.blogspot.com

palavras ao vento disse...

vai ficar famosa parabens;;;;srsrs...as vezes as pessoas mas quietas são a que mais sabem de tudo que acontece ao redor...elas falam pelos os olhos e são pocos que entende oke quer dizer...teu texto e muito bom...

Luis Gustavo disse...

Si, cada pessoa tem seu conceito pessoal sobre o que é Arte, porem existe um conceito incomum do que é Arte. Hoje em dia temos arte como profissão e também como matéria acadêmica. Para se tornar um artista é necessário ter em si certos conceitos estéticos esclarecidos.
A produção de qualquer pessoa não pode ser considerada Arte. Atrás de qualquer obra de Arte a um conceito escondido e o bom artista é aquele que consegue tocar propositalmente uma pessoa sem que está pessoa perceba essa intenção.
Eu como estudante de Artes te digo com grande certeza – Arte tem certos conceitos pré -formados. Você deve estar perguntando – Se esse conceitos são acadêmicos, como se julga um quadro de movimentos antes de surgir a academia? É simples. Por divisão histórica - por nos retratar a forma de vida dos antepassados e sentimentos empregados nas civilizações antigas muitos Artefatos são considerados como Arte (vasos rupestres, Estatuas egípcias, Arquitetura Romana, Estatuas Gregas, Catedrais Góticas, Pinturas barroca e do rococó, Telas renascentistas...).
Um critico de arte quando faz uma analise de uma obra, analisa seu período, sua intenção, sua beleza, sua construção e até mesmo sua desconstrução. Para se formar em Artes Visuais(Antiga Artes Plásticas) o olhar da pessoa tem que evoluir de tal maneira, que lhe permite ver atrás da Tela mais subliminar alguma resposta apalpavel(não que isso seja uma verdade absoluta é uma mera analise).
Na reportagem que você me mandou está totalmente visível que é um questionamento manipulador sobre a exposição de Guillermo "Habacuc", o repórter apenas critica a obra do artista sem fazer nenhuma analogia positiva do ato. Nas palavras de Guillermo "Habacuc" e da curadora da galeria existem fragmentos que tentam demonstra a obra de uma visão menos pejorativa, porem na seqüência dos depoimentos vem o jornalista e denigre a imagem do artista com uma critica unilateral e deprecatória.
Para concluir a reportagem vem Ana Mae Barbosa, uma Arte Educadora fantástica que nos anos 80 criou estudos para mudar a Arte Educação nas escolas publicas, daí que surgiu o novo Pcns de Arte. Porem se formos levar em consideração que Ana é uma educadora, ou seja uma artista com mais ética do que o normal é obvio o por que de seu posicionamento – Imagine você mãe e a educadora de seu filho fala que o cachorro passar fome em nome da arte é poético... rsss
Mas sua visão de que Arte é um conceito pessoal em partes está certa, porem para se consagrar um artista tem que se abandonar muitos padrões empregados pela sociedade e ter um sentimento super aflorado.
Ando muito ocupado, mas assim que tiver um tempo vou te passar uns textos legais. Se você já quiser da uma lidinha em leituras boa – Argan e Gomberch – São dois historiadores de Arte que tem uma visão incrível e fazem analise espetaculares. Em seus textos você vai compreender melhor esse lance de “certos conceitos estéticos”.
Excelente sua colocação
Bju

Luis Gustavo disse...

parabens ju
espero que seu livro faça muito sucesso

Rodrigo Oliva Peroni disse...

"Marina tinha seus olhos mariscados azuis mar, marejados pela maré de lágrimas que manchavam de marinho sua marina face." - PERFEITO!!
Usou o mesmo instrumento de "Morte e Vida Severina" ao adjetivar nomes próprios, ótima.

Só acho que depois deste trecho, tu usas muitas vezes partes dele, como os "olhos azuis mar" ou a "face marina", os tornando comuns e repetitivos. Embora, é claro, quando falando da rotina do velhinho (ÓTIMA JOGADA COM OS NOMES), ter repetido as mesmas palavras diversas vezes tenha sido ótima escolha.

E, sei lá, o final eu não entendi direito: Aquele livro que ele deixou, eu não conheco... Ele existe mesmo? Era para eu conhecer? Sobre o que fala? Ou foi Pedro que escreveu? aaaaaa!

Adorei O "mas acho que meu passado engoliu o presente e hoje o futuro jaz morto". Só que estas frases/versos perfeitos que aparecem na nossa cabeça tem de ser ditos uma, no máximo duas vezes, SÓ. O leitor percebe que ele é importante, não precisa repetir. ;D
* SÓ MINHA OPINIÃO *

Julia Bauer disse...

Nota: Luna Clara e Apollo Onze é um livro da Adriana falcão